Formação para Leitores e Salmistas

Webnode
22/03/2012 14:47

 

Leitores e Salmistas

Siglas utilizadas:

LEG - Legislação Episcopal em geral - Cerimonial dos Bispos

IGMR - Instrução Geral do Missal Romano

Sb 3 - Subsídios da CNBB nr 3 - Celebração da palavra de Deus

 

1. Importância da reunião preparatória

Quando falamos em equipe de liturgia, leitores, comentaristas, pensamos logo na missa. Mas, Liturgia é também:

- A celebração dos sacramentos: batismo, crisma, penitência, ordem, matrimônio, unção dos enfermos, eucaristia.

- A celebração de exéquias, procissões, bênçãos

- A celebração da palavra, a via-sacra, novena, círculo bíblico, terço...

Para cada uma dessas e outras celebrações que aconteçam na sua comunidade poderia existir uma equipe responsável.

 

Uma celebração que tenha por objetivo levar os fiéis a um processo de conversão, não pode ser improvisada. É necessário que a equipe se reúna durante a semana e a prepare com muito carinho.

 

Uma leitura atenta do evangelho que é a leitura principal do mistério celebrado suscitará na equipe o tema central daquele domingo. A seguir, lê-se a 1ª leitura e o salmo que vão nos ajudar a entender o tema central da liturgia. Por fim lê-se a 2ª leitura.

Alguém proclama os textos em voz alta e a equipe ouve atentamente.

Segue-se uma leitura silenciosa onde cada membro da equipe:

- vai grifar as palavras fortes, que lhe chamaram mais a atenção.

- marcar as pausas e silêncios.

- procurar o tom da voz que combine com o gênero literário do texto.

- dar ênfase às palavras mais importantes.

- descobrir o ritmo que combina com cada parte do texto (depressa, devagar...)

- cuidar da respiração, aspirando pelo nariz, sem fazer barulho.

- cuidar da dicção, pronunciando bem cada palavra, cada sílaba

 

 Um a um, cada membro do grupo proclama o texto. Avalia-se a atuação do leitor(a)

 

Alguns questionamentos podem ajudar nessa fase: Para quem foi escrito este texto. Qual era a situação política deste povo? Quem são os personagens. Qual a intenção do autor ao dirigir-se a este povo? Em que ambiente se passa a narrativa?

Se houver dúvida quanto à pronúncia de alguma palavra dos textos, esclarecer na reunião para que, durante a semana os leitores possam praticar a entonação de voz levando em conta o gênero literário: carta, poema, narrativa para que no dia da celebração, ela será proclamada, ou seja, transmitida à assembleia com amor, com vida.

 

Proclamar a Palavra é um gesto sacramental. Coloco-me a serviço de Jesus Cristo que, através da minha leitura, da minha voz, da minha comunicação... quer falar pessoalmente com o seu povo reunido. O documento conciliar sobre a Sagrada Liturgia (Sacrosanctum Concilium) o exprime da seguinte maneira no artigo 7: “Presente está pela sua Palavra, pois é ele mesmo que fala quando se leem as Sagradas Escrituras na Igreja”, isto é, na comunidade reunida. (Buyst, Ione: Ministério de leitores e salmistas, Paulinas, 3ª Ed. 2002.)

 

2. Funções

2.1. Leitor

- Considerando que é o povo de Deus que proclama sua palavra, quando o leitor fica junto da assembleia e sobe ao presbitério na hora da proclamação, a liturgia da palavra se torna mais viva. Não existe, porém, proibição quanto aos leitores ficarem no presbitério.

- Dirija-se à Mesa da Palavra (ambão), com tranquilidade e em atitude de oração mostrando o seu respeito pelo Livro Sagrado. Coloque as duas mãos sobre o Livro. A mão esquerda segura a página e a direita acompanha a leitura permitindo assim que ao final das frases possa olhar para a comunidade, estabelecendo um contato visual com a Assembleia. Onde houver microfone, veja se está ligado e na posição adequada para você.

- Olhe para a assembleia estabelecendo uma relação entre ouvintes e a Palavra que será proclamada.

- A Palavra de Deus deve ser proclamada com alegria, mas sem vulgaridade.

 

 - Terminada a leitura, dizer: PALAVRA DO SENHOR – no singular, como está no livro.

 

Na teologia católica não se costuma citar capítulo e versículo dos textos proclamados. Nossa liturgia não tem três leituras isoladas, mas uma lição do dia para cada celebração, onde o projeto de Deus é anunciado através de um texto do AT (exceto no tempo da páscoa e algumas solenidades), testemunhado pelo apóstolo e realizado por Jesus no Evangelho. Temos, portanto, um tema apresentado em três momentos que podem perder seu sentido quando as leituras se tornam independentes com citações de capítulos e versículos ou, quando comentários intermediários atrapalham o entendimento do seu relacionamento.

            Ao leitor, também é recomendável iniciar sua proclamação citando apenas o livro de onde será proclamado. Ex: Do livro do profeta Isaias. 

            - Não será uma leitura, mas uma proclamação.

            - Não será lido o livro todo mas, alguns versículos relacionados à lição do dia.

 

            Na celebração eucarística, o altar é o símbolo principal de Cristo e centro de toda celebração. Por isso, quando os leitores se posicionam junto à assembleia e vão se dirigir ao ambão para proclamar a Palavra, devem se dirigir até o centro do altar e fazer uma inclinação profunda. A seguir dirigem-se ao ambão de onde proclamam a palavra. Retornam à frente do altar e juntamente com o salmista ou leitor seguinte, fazem nova inclinação retornando ao seu lugar enquanto o segundo leitor ou salmista se dirige ao ambão.

            Não se trata de um mero formalismo. Este gesto tem por finalidade resgatar na liturgia, o lugar de destaque do ambão, que significa “lugar elevado” de onde se proclama a palavra.

O diácono, antes de proclamar o evangelho inclina-se diante do presidente da celebração e pede a sua bênção. O presidente da celebração o abençoa dizendo: “O Senhor esteja em teu coração e em teus lábios para que possas dignamente proclamar o seu evangelho: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.”

Na ausência do diácono, o padre inclina-se diante do altar e reza: “Ó Deus todo-poderoso, purificai-me o coração e os lábios para que eu anuncie dignamente o vosso santo evangelho”.

            É uma oração silenciosa que poderia servir de inspiração também para os leitores que ao inclinar-se diante do altar, poderiam rezar: “Purifica Senhor, o meu coração e os meus lábios para proclamar a vossa Palavra.”

 

            Por que purificar o coração e os lábios?

            Porque é no coração que acolhemos a Palavra e o Espírito do Senhor. E é com os lábios que proclamamos a Boa Nova para que chegue aos corações dos ouvintes. (cf. Buyst, Ione: Ministério de leitores e salmistas, Paulinas, 3ª Ed. 2002.).

 

 “Lembre-se o leitor da dignidade da Palavra de Deus e da importância do seu ofício, e preste atenção à maneira de dizer e pronunciar, de modo que a Palavra de Deus seja percebida com toda a clareza pelos que nela participam. Ao anunciar a palavra divina aos outros, ele próprio a deve acolher com docilidade e meditá-la com diligência, para dela dar testemunho com o seu modo de viver.” (LEG 32).

 

Diz a Instrução Geral do Missal Romano:

“O leitor é instituído para proferir as leituras da Sagrada Escritura, exceto o Evangelho. Pode igualmente propor as intenções para a oração dos fiéis e, faltando o salmista, recitar o salmo entre as leituras.

O leitor possui, na celebração eucarística, uma função própria, que ele mesmo deve desempenhar, ainda que estejam presentes ministros de ordem superior.

Para que os fiéis, ao ouvirem as leituras divinas, concebam no coração um suave e vivo afeto pelas Sagradas Escrituras, é necessário que os leitores, mesmo que não tenham sido instituídos para essa função, sejam realmente capazes de desempenhá-la e se preparem cuidadosamente.” (IGMR 66)

 

2.2 Comentarista

 

- Tem a missão de colocar a Assembleia dentro do assunto da celebração. Daí a necessidade de um preparo. Ele tem que conhecer todo o desenrolar da missa.

- O comentário deve ser sucinto e objetivo, mas bem feito e transmitido com alegria.

- O contato visual com a Assembleia é muito importante.

            - O comentário seja feito de um púlpito, fora do presbitério.

 

2.3. Salmista

O Salmo Responsorial, Palavra de Deus, é parte integrante da liturgia da palavra e seu texto acha-se ligado à respectiva leitura (cf. IGMR 36).  "É a resposta orante da assembleia à primeira leitura" (Sb 3 73).    O salmo demonstra acolhida à revelação de Deus. É o nosso momento privilegiado, como assembleia, de acolher e interiorizar a proposta de Deus. Podemos até dizer que o salmo é a continuação da primeira leitura, é a sua oração. Não deve, portanto, ser substituído por um canto meditativo ou outro salmo qualquer, desligado da liturgia, só para preencher o espaço e variar um pouco.       Não sendo possível cantar o salmo, deve ao menos ser recitado por um leitor, participando a assembleia do refrão (cf. IGMR 36).

 

O modo de salmodiar.

Os salmos são poemas de louvor. Embora às vezes sejam proclamados em forma de leitura, atendendo ao seu gênero literário, chamam-se com razão em hebraico tehillim, ou seja, ‘cântico de louvor’ e, em grego, psalmói, isto é, ‘cânticos para entoar ao som do saltério’. De fato, todos os salmos têm caráter musical que determina a maneira conveniente de dizê-los. Por isso, mesmo que recitado sem canto, ou individualmente e em silêncio, a pessoa se deixa levar pelo caráter musical dos salmos.

Portanto, para que o Salmo se torne esta oração da assembleia, duas coisas são fundamentais:

1. O uso de instrumento suave que acompanhe a melodia (teclado, órgão, violão).

2. Que o salmista o entoe de uma forma poética que conduza a assembleia à interioridade.

 

“Compete ao salmista proclamar o salmo ou outro cântico bíblico colocado entre as leituras. Para bem exercer a sua função é necessário que saiba salmodiar e tenha boa pronuncia e dicção.” (IGMR 67)

 

3.Expressão Corporal e Litúrgica

 

- O Corpo fala mais que a boca. Ex: Visita a um velório. O que falar a uma mãe que perdeu o filho? – Abraço diz tudo.

 

- Na liturgia o corpo também deve ser usado para se comunicar: há gestos que falam; gestos que xingam; gestos que aplaudem; que condenam.

 

Postura: A maneira correta de usar o corpo é o início da comunicação

 

Em pé junto ao ambão: – perna esquerda um pouquinho à frente para liberar o braço direito.

Sentado – perna esquerda um pouco à frente, cabeça acompanhando o corpo.

 

Cabeça

– acompanhando o corpo, expressão de alegria sem vulgaridade.

 

Olhos – empatia – ir e voltar. Pelo olhar gostamos ou não. Vê-se o íntimo da pessoa.

- O olhar deve ser firme, mas não arrogante.

 

Boca - É o alto falante do corpo.

- precisamos exercitar para que as palavras sejam bem articuladas, que haja uma boa pronúncia.

Evitar vícios como “comer letras”: poblema, tesora bem como de acentuação gráfica: Antióquia – Etiopía.

A respiração correta pelo nariz facilita a fala.

 

Voz: problema sério na liturgia.

- É preciso sentir o momento, a leitura. A voz de pedido de perdão é diferente da voz que proclama o evangelho, que dá glória...

Ex: Sexta-feira da paixão – leitores devem treinar antes para achar a entonação de voz para cada personagem.

O padre também deve mudar a entonação de voz nos diversos momentos da missa, principalmente na Oração Eucarística.

 

Equipe: Significa um grupo de pessoas que trabalham harmoniosamente.

            Uma equipe de celebração existe para animar a celebração, logo não pode ser desanimada. Para isto tem que estar preparada e ter um objetivo comum – Cristo.

            Uma equipe de celebração não é formada apenas pelo comentarista e pelos leitores. Tem mais gente que faz um trabalho muito importante para que a celebração seja atraente.

 

Trajes

- A Mesa Eucarística é o mais fino banquete que podemos participar. Se, para um Casamento ou Aniversário, sabemos escolher a roupa adequada, porque para a Ceia do Senhor, para a Festa em que o próprio Cristo nos convida, não temos essa preocupação?

- A equipe de Celebração deve trajar-se decentemente, evitando roupas escandalosas, com propagandas, ou no caso das mulheres, saias muito curtas que não permitam sentar-se sem chamar a atenção.

- Em algumas comunidades os leitores estão usando uma veste litúrgica, não para torná-los melhores que os outros fiéis mas para expressar a identidade do seu ministério. Revestem-se de Cristo, servidor da comunidade para agir em nome dele.

Como equipe, cada um deve procurar exercer da melhor maneira possível a sua função, e somente a sua.

Se um irmão errar, deve ser incentivado ao acerto e não condenado. Quem errou já terá sua consciência para o acusar.

Sugestão: gravar ou filmar uma celebração e passar na reunião para avaliação.

 

 

Gostou das dicas? Quer aprofundar seus estudos? A liturgista Ione Buyst escreveu dois livretos que podem ajudá-lo(a):

“A Palavra de Deus na liturgia” e “O Ministério de leitores e salmistas.” (Ed. Paulinas)

 

 

 

 

 

 

Webnode